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Fimose em criança: saiba o que é e como tratar

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O prepúcio é a pele que cobre a extremidade do pênis em seu estado flácido. Quando o pênis fica ereto, o prepúcio se retrai e expõe a glande, a área mais sensível do órgão genital masculino. 

Ao nascimento, é incomum o prepúcio ser retrátil. Apenas 4% dos recém-nascidos têm um prepúcio totalmente retrátil e, em 54% dos neonatos a ponta da glande pode ser revelada por retração suave. A evolução para um prepúcio totalmente retrátil prossegue a uma taxa variável durante a infância.

De uma maneira geral, estatisticamente, no final do primeiro ano de vida, é possível a retração do prepúcio em aproximadamente 50% dos meninos. Essa porcentagem aumenta para 89% quando os meninos alcançam os 4 anos de idade. 

Fimose é justamente a impossibilidade de expor a glande porque o prepúcio é estreito e aderido. A incidência de fimose é de 8% em crianças de 6 a 7 anos e apenas 1% em homens de 16 a 18 anos de idade. 

Complicações do prepúcio

  • BALANOPOSTITE: 

É uma inflamação da glande e do prepúcio. A etiologia da balanopostite é variável e são citados fatores como infecção, trauma mecânico, irritação ou alergias. É caracterizada por vermelhidão e inchaço do pênis, com umidade local e saída de secreção clara ou amarelada. Sintomas graves podem levar à retenção urinária. Depois de investigados caso a caso, a medicação pode ser ministrada de forma tópica ou via oral, habitualmente antibióticos ou antifúngicos. 

A frequência decrescente em meninos mais velhos reflete a maturação do prepúcio e uma melhor higienização do pênis. A ocorrência de balanopostites de repetição é uma das indicações médicas para a realização da postectomia ou circuncisão.

  • PARAFIMOSE: 

Acontece quando a pele do prepúcio não consegue regressar à sua posição normal, comprimindo o pênis de forma circunferencial e promovendo grande edema local, o que pode comprometer a circulação sanguínea peniana. É uma situação de urgência urológica e, normalmente, o primeiro passo consiste em comprimir a glande em uma tentativa de reduzir o inchaço do pênis e retornar o prepúcio à sua posição natural. Caso essa manobra não seja possível, a descompressão pode ser realizada em centro cirúrgico com a incisão do prepúcio.

Fimose: quando é realmente necessário fazer a circuncisão?

A palavra Fimose vem do grego Phimos que significa “mordaça”.

O diagnóstico e o tratamento da fimose – que em alguns casos requer uma intervenção cirúrgica com a remoção do prepúcio – geram muitas controvérsias na literatura leiga e médica. 

Primeiramente, é preciso distinguir se a fimose é primária, sem sinais de cicatrizes (fisiológica) ou secundária (patológica), com sinais de cicatrizes. 

A fimose fisiológica (particularmente a do recém-nascido) melhora espontaneamente com o desenvolvimento da criança. Conforme a criança cresce, o prepúcio se descola naturalmente da glande.

Já a fimose secundária costuma estar associada a manipulações prepuciais traumáticas e infecções locais, com maior tendência a não se resolver espontaneamente, pois o tecido cicatricial é menos elástico e firme, o que impede uma retração prepucial satisfatória.

No caso de aderências prepuciais com exposição de somente parte da glande ou nos casos mais leves, o tratamento pode ser feito com USO DE POMADAS ou CREMES DE CORTICÓIDE. A pomada deve ser usada uma vez ao dia por um período de 20 a 30 dias, sob orientação médica, e tem altas taxas de sucesso descritas na literatura. 

Na prática, as famílias relatam algumas dificuldades, pois as pomadas podem causar irritação e vermelhidão local, além da pouca colaboração das crianças com o tratamento. 

Em relação ao tratamento cirúrgico, as indicações para circuncisão são: a presença de cicatrizes prepuciais intratáveis (secundárias), com impedimento da exposição glandar, o balonamento prepucial decorrente da fimose e a presença de infecções de repetição, locais ou urinárias.

Além disso, é importante mencionar a possibilidade da realização da circuncisão (postectomia) de acordo com a preferência familiar, habitualmente religiosa ou cultural. Por exemplo, famílias de origem judaica, muçulmana e a maioria das crianças nascidas na América do Norte, rotineiramente realizam a circuncisão no período neonatal (logo após o nascimento). A técnica cirúrgica e o preparo desses procedimentos pode ser diferente e adaptada para bebês.

Outra condição rara e severa que pode ocasionar fimose é a Balanite Xerótica Obliterante (BXO), também chamada de líquen escleroatrófico, uma inflamação crônica e progressiva do pênis capaz de comprometer a glande, o prepúcio e o meato uretral. O tecido adquire uma coloração esbranquiçada e torna-se quebradiço, friável. Este diagnóstico costuma ser confirmado pelo exame anátomo patológico do prepúcio removido.

Finalmente, o urologista pediátrico é o profissional capacitado para fazer as devidas distinções e avaliar qual o tratamento adequado para cada caso.

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